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Em defesa de uma nobre causa

Aluno Lógico é destaque na Tribuna do Norte

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A época de preparação para o vestibular demanda muita leitura, horas dedicadas à pesquisas na internet e, sobretudo, muito tempo em frente ao quadro negro observando de perto as anotações de professores. É um período onde a visão é um dos nossos maiores aliados. Mas há quem passe por essa maratona de estudos, sem contar com este auxílio. Como o estudante Lerbentes Neres de Lima, 33 anos, também conhecido por Leo, para quem a rotina de pré-vestibulando desponta ainda com mais desafios.

Massoterapeuta, Lerbentes  Neres deixou de trabalhar para se dedicar totalmente aos estudos. Desde 1999, quando concluiu o ensino médio, ele tentou três vestibulares, foi aprovado e cursa Ciências da Religião, na UERN. E agora se prepara para passar em Direito na UFRN e se tornar um especialista da defesa dos direitos dos deficientes visuais. O candidato tinha uma visão normal até o início do ensino médio, quando descobriu uma doença congênita que causou a perda quase completa da visão. O campo de visão se limita, hoje, a identificar claro/escuro e vultos.

Embora aprovado no curso que sempre desejou, Ciências da Religião (UERN), Leo Lerbentes Neres de Lima sonha agora ser advogado para lutar pela causa das pessoas com deficiências. "As pessoas acreditam que os processos seletivos são inclusivos, mas não é bem assim. Quero ser uma voz para falar pelas pessoas que passam pelas mesmas dificuldades que eu e fazer do vestibular/ENEM um espaço verdadeiramente democrático", ressalta.

As dificuldades, conta o estudante, começam já na hora de ir ao cursinho. Uma simples viagem de ônibus é tarefa árdua. É comum pegar o ônibus errado, apesar de pedir informação aos passageiros e motoristas. "Há má fé e impaciência em ajudar", conta. Um transtorno diário que acaba por influenciar no rendimento. "Já chego no cursinho com o psicológico totalmente abalado e fica difícil me concentrar para as aulas", desabafa.

Veterano quando o assunto é vestibular, o estudante se queixa da falta de editais e de provas preparadas especificamente para deficientes visuais como ele. Para pode ter acesso ao conteúdo do edital, é preciso esperar a "boa vontade de algum amigo ou parente que tenha a paciência de ler todo o documento", afirma. Não existe uma versão em áudio para as pessoas com deficiência visual. Por lei, explica o estudante, todo deficiente físico tem direito a um ledor (uma pessoa que lê a prova par ele) e um escriba (uma pessoa que transcreve o que o candidato escreveu, geralmente em grandes papéis com caneta piloto).

Na prática, a realidade é outra. Para a edição do Enem 2012, Lerbentes entrou com um requerimento para que seja disponibilizado um ledor para fazer a prova de língua estrangeira, mas, até então, não teve resposta por parte da organizadora do certame, o Inep, sobre se haverá ou não tal pessoa.

Mesmo para as pessoas que dominam o método braile, essa opção para as provas e concursos é deixada de lado em virtude do curto espaço de tempo para leitura das provas. "As pessoas leem uma frase em quanto tempo? Um, dois segundos. Nós levamos minutos para ler uma única frase. E só temos direito a uma hora a mais para realizar a prova, é um tempo insignificante", explica.

Medidas inclusivas


Na sala de aula, os cuidados despendidos com deficientes visuais, como Leo, são bastante específicos. De acordo com o professor João Maria Fraga do Lógico, foi preciso uma mudança na metodologia para se adequar as necessidades do aluno. Algumas preocupações e medidas são necessárias para que elas consigam realizar atividades simples como ler a lousa ou escrever dentro das linhas do caderno.

A abordagem pedagógica passou a conhecer e considerar as limitações para poder melhor trabalhar o potencial do aluno. "Esquecer que enxergam pouco é o mesmo que ignorá-las como alunos. Da mesma forma, também é um erro desprezar essa capacidade visual, mesmo que ela seja apenas um resíduo", comenta o professor João Maria Fraga.

A experiência de dar aula para uma pessoa com dificuldades visuais é um desafio para toda a equipe pedagógica. "Dar aula para o Lerbentes é uma experiência nova e desafiadora para todos os professores. Todo dia estamos aprendendo com ele a melhor maneira de auxiliá-lo", explica o professor de geografia Lázaro Bezerra.

Uma das principais medidas para um aprendizado mais inclusivo, lembra o professor, foi tornar a aula mais explicativa. "Não posso simplesmente mostrar um mapa no data show e começar fazer referência a ele, preciso explicar que existe uma imagem do mapa do Brasil no quadro, com destaque para região amazônica, por exemplo", conta o professor.

O acesso a versão digitalizada da apostila foi uma das facilidades encontradas pelo aluno. "Eu pude jogar o material no meu programa de computador, que lê tudo que está na tela. Sem isso seria impossível estudar", destaca Lerbentes Neres de Lima, que dedica cerca de quatro horas - após o turno de cursinho - para os estudos.

Com o avanço tecnológico, alunos cegos podem usar o computador para fazer trabalhos escolares, navegar na internet ou mesmo ler textos. Há impressoras que permitem a impressão em Braile do trabalho digitado no teclado comum. Também é possível adaptar o computador, instalando programas específicos que fazem a leitura de tela em voz alta e que dispensam o uso de mouse. Entre eles, estão o gratuito DOS-VOX, brasileiro, e o JAWS, que custa por volta de US$ 600.


Fonte: tribunadonorte.com.br



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